Num mundo em que dominam os carros e a correria do dia-a-dia, stress e outras coisas, será que existe ainda um tempo para andar de bicicleta. Será que as pessoas depois de adultas, casadas ou com filhos ainda tem bicicletas? Eu indico a todos este passeio!
Á cerca de dois meses, numa das nossas voltas rotineiras de fim-de-semana, alguém sugeriu que se fizesse a ligação directa entre Portalegre e a Serra da Estrela, no início ficamos todos receosos mas basta um dizer sim e o projecto avança, foram muitos dias de sofrimento, uns dias sós outros em grupo a subir e descer S. Mamede, pois o medo de falhar era enorme, era Vale Lourenço, era o caminho florestal, era Cabeço de Mouro, era irmos a Abrantes e voltar etc. Não houve subida difícil que não fosse ultrapassada pelo grupo.
Pensamos então no dia 30 de Julho, uma data em que todos estávamos livres, os dias iam-se passando e a ansiedade também.
Eram pouquíssimos os que acreditavam nas nossas capacidades, ouvimos muitas vezes dizer que nem valia a pena lá irmos, que não conseguíamos, que era muito difícil, bem este tinha toda a razão era muito difícil, mas nós continuamos a acreditar, a ter esperança, aprendemos a confiar em nós e a não desistir dos nossos objectivos por mais difíceis que sejam, aprendemos a ter coragem sempre com humildade.
Chegava o tal dia, o dia da verdade, o dia em que íamos ver quem tinha razão, os que foram ou os que ficaram, logo bem cedo as 5,30h da madrugada começamos a chegar ao ponto combinado para a partida, que teve inicio as 6h, sempre numa grande galhofa lá fomos devorando quilómetros, nem se davam por eles a passar, com o espírito aventureiro atravessamos vales e montes, parando duas vezes para repormos energias, com muita fruta, uma bela salada fria, chouriços marmelada etc., autênticos piqueniques.
Até aqui tudo parecia fácil quando no horizonte se começava a avistar o nosso Calvário, 14h e 150km nas pernas, começava o derradeiro teste, aquele que nos levou a percorrer centenas de quilómetros umas semanas antes para que tivéssemos o mínimo de forma física.
Subida da Covilhã com aquele empedrado que parecia não ter fim, já pingava o suor quase em bica, foram os primeiros 6 ou 7 quilómetros que ditaram se conseguíamos atingir ou não o objectivo a que nos propusemos, pois o nosso organismo levava um grande choque em relação ao grau de dificuldade, sabíamos que tínhamos que gerir muito bem o esforço no inicio para que não pagássemos cara a factura mais tarde, mas graças a Deus todos nós íamos preparados fisicamente e psicologicamente, talvez a parte da psicologia seja mais importante que a física.
Passavam as horas e o grupo umas vezes calados outras a dizer parvoeiras para levantar a moral, lá íamos indo sem nos passar pela cabeça desistir, até que se começava a avistar muito ao longe a torre, ganha-se ânimo e pensamos - é já além, mas este além ainda fica longe, até que para surpresa de muita gente lá se chegou, não foi nada fácil mas o sacrifício vale pela honra, e é nas coisas difíceis de se alcançar que o ser humano se pode orgulhar, por isso Ti Chico Ceia, Hélder Palma, João Borges, João do Rosário, Hugo Ceia, Edgar Tavares, Nuno Assis e Ângelo Valério, tem razão suficiente para estarem orgulhosos de vós…
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